"VIII
Era verdade. Era tudo verdade. Não pude descrever minha sensação quando, no fundo das ruínas, vi uma linda pedra, sob a luz de um buraco no teto, desfocada pela névoa esbranquiçada. Chegar até lá, porém, foi o verdadeiro problema.
Logo que empurrei os pesados portões de pedra da ruína, me deparei com paredes negras, manchadas de poeira, musgo, e sangue. A escuridão era densa, sufocante. Precisei de uma tocha para guiar-me por entre os corredores de mármore negro. No começo não havia grande problema. O caminho era único, e as únicas coisas que se moviam eram as sombras dos objetos destruídos sob a luz da minha tocha. Porém, logo me deparei com uma porta, tão negra quanto as paredes, com escritas antigas. Ao abrí-la, uma criatura horrenda avançou sobre meu pescoço. Minha espada segurou-a; Com um impulso de meus braços, joguei-a para trás e pude analisá-la melhor. Era um humano. Literalmente, era. Não sei no que se transformou, ou o que causou aquilo, mas várias partes do seu corpo estavam apodrecidas, ou faltando. Suas unhas eram enormes e sujas, e seus olhos eram brancos e ressecados. Um calafrio subiu minha espinha quando meus olhos se depararam com tantos ferimentos expostos. Usando a parte plana de minha espada, baqueei a besta na cabeça, que, de tão frágil, destacou-se do restante do corpo, que continuou a tentar atacar-me. Tive que desmembrá-lo para que ele parasse de se mover. Deixei seus restos e continuei meu caminho. Mais criaturas iguais apareceram, e tive de usar o mesmo método para que eles 'morressem'. Após horas de caminhada por entre os salões de teto alto e corredores estreitos, deparei-me com mais uma porta, que, cautelosamente abri. Nada pulou de dentro dela, e foi quando avistei a runa.
Aproximei-me do altar no qual se encontrava. Lentamente. Estiquei meu braço para alcançá-la. Meus dedos tocaram sua estrutura, aparentemente tão frágil. Estava em minhas mãos. Logo que peguei-a, tive certeza de que era mais que um simples pedaço velho de pedra. Como descrito no pergaminho, encaixei-a na lacuna do peitoral da minha armadura. Senti frio. Nenhuma mudança brusca ocorreu. Não tive sensações boas, nem ruins. Apenas frio. Olhei para o salão. De cima do altar, pude ver algumas aberturas no chão. Olhei em volta. A única saída da sala era a entrada, ou o buraco pré-mencionado que havia no teto. Teto alto. Impossível escalar. Desanimado por ter que passar todo meu caminho anterior novamente, comecei a percorrer a câmara em busca de uma saída alternativa. Apoiei meu peso sobre uma placa que havia entre o piso úmido. Ela moveu-se para baixo, como um botão. As aberturas que havia visto começaram a emitir um brilho vermelho. Lava incandescente começou a inundar a sala. Era a prova real. Corri para a porta de entrada da câmara e fechei-a. A lava aproximava-se de meu pé. Fechei meus olhos. Senti-me louco. O que fazia ali? E se fosse tudo uma fraude? Uma brincadeira de mal gosto? Mal tive tempo para pensar, e algo estranho subia minha canela. Era a própria lava, que subia rapidamente. Não senti dor. Meu medo sumiu, me acalmei instantaneamente. Podia nadar sobre aquilo como se fosse água.
Esperei o nível da lava subir até o teto. Alguns minutos depois, meu braço alcançava a clarabóia. Me puxei para cima, e encontrei-me em uma espécie de santuário, no meio de uma floresta. Olhei para baixo. O nível da lava voltou a descer. Verifiquei meus arredores. O santuário era pequeno, com várias janelas de vidro, uma porta, e uma mesa. Sobre a mesa, encontrava-se uma chave, aparentemente da porta do santuário, e mais um pergaminho."
Era verdade. Era tudo verdade. Não pude descrever minha sensação quando, no fundo das ruínas, vi uma linda pedra, sob a luz de um buraco no teto, desfocada pela névoa esbranquiçada. Chegar até lá, porém, foi o verdadeiro problema.
Logo que empurrei os pesados portões de pedra da ruína, me deparei com paredes negras, manchadas de poeira, musgo, e sangue. A escuridão era densa, sufocante. Precisei de uma tocha para guiar-me por entre os corredores de mármore negro. No começo não havia grande problema. O caminho era único, e as únicas coisas que se moviam eram as sombras dos objetos destruídos sob a luz da minha tocha. Porém, logo me deparei com uma porta, tão negra quanto as paredes, com escritas antigas. Ao abrí-la, uma criatura horrenda avançou sobre meu pescoço. Minha espada segurou-a; Com um impulso de meus braços, joguei-a para trás e pude analisá-la melhor. Era um humano. Literalmente, era. Não sei no que se transformou, ou o que causou aquilo, mas várias partes do seu corpo estavam apodrecidas, ou faltando. Suas unhas eram enormes e sujas, e seus olhos eram brancos e ressecados. Um calafrio subiu minha espinha quando meus olhos se depararam com tantos ferimentos expostos. Usando a parte plana de minha espada, baqueei a besta na cabeça, que, de tão frágil, destacou-se do restante do corpo, que continuou a tentar atacar-me. Tive que desmembrá-lo para que ele parasse de se mover. Deixei seus restos e continuei meu caminho. Mais criaturas iguais apareceram, e tive de usar o mesmo método para que eles 'morressem'. Após horas de caminhada por entre os salões de teto alto e corredores estreitos, deparei-me com mais uma porta, que, cautelosamente abri. Nada pulou de dentro dela, e foi quando avistei a runa.
Aproximei-me do altar no qual se encontrava. Lentamente. Estiquei meu braço para alcançá-la. Meus dedos tocaram sua estrutura, aparentemente tão frágil. Estava em minhas mãos. Logo que peguei-a, tive certeza de que era mais que um simples pedaço velho de pedra. Como descrito no pergaminho, encaixei-a na lacuna do peitoral da minha armadura. Senti frio. Nenhuma mudança brusca ocorreu. Não tive sensações boas, nem ruins. Apenas frio. Olhei para o salão. De cima do altar, pude ver algumas aberturas no chão. Olhei em volta. A única saída da sala era a entrada, ou o buraco pré-mencionado que havia no teto. Teto alto. Impossível escalar. Desanimado por ter que passar todo meu caminho anterior novamente, comecei a percorrer a câmara em busca de uma saída alternativa. Apoiei meu peso sobre uma placa que havia entre o piso úmido. Ela moveu-se para baixo, como um botão. As aberturas que havia visto começaram a emitir um brilho vermelho. Lava incandescente começou a inundar a sala. Era a prova real. Corri para a porta de entrada da câmara e fechei-a. A lava aproximava-se de meu pé. Fechei meus olhos. Senti-me louco. O que fazia ali? E se fosse tudo uma fraude? Uma brincadeira de mal gosto? Mal tive tempo para pensar, e algo estranho subia minha canela. Era a própria lava, que subia rapidamente. Não senti dor. Meu medo sumiu, me acalmei instantaneamente. Podia nadar sobre aquilo como se fosse água.
Esperei o nível da lava subir até o teto. Alguns minutos depois, meu braço alcançava a clarabóia. Me puxei para cima, e encontrei-me em uma espécie de santuário, no meio de uma floresta. Olhei para baixo. O nível da lava voltou a descer. Verifiquei meus arredores. O santuário era pequeno, com várias janelas de vidro, uma porta, e uma mesa. Sobre a mesa, encontrava-se uma chave, aparentemente da porta do santuário, e mais um pergaminho."

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